sábado, 3 de outubro de 2009

O beijo no Bono


Estamos em viagem. Estou no carro neste momento. A Isa dirige, a Marisa ouve música em seu MP3, apesar de haver som no carro. É a pré-adolescência que invadiu nossas vidas. Vamos a Raleigh, capital da Carolina do Norte. Hoje tem show do U2 e eu finalmente vou conseguir ir.

Foi preciso viajar mais de 10 mil quilômetros para finalmente estar em meio à multidão num show desses caras. Nas duas apresentações no Brasil não deu certo para mim. A primeira delas foi em fevereiro de 1998. A Isa estava gravida de oito meses e insistia para que eu fosse. E eu estava empolgadíssimo, vi ingresso, passagem, hotel em Sampa e tudo mais. E fiz tudo sozinho, que naquela época eu não dependia dela financeiramente, como agora. Na hora de fechar o pacote bateu a dúvida: e se a Marisa nasce enquanto eu estiver no show? Eu não fui, Marisa também não nasceu. Aguardou mais uns dias e pousou em 29 de março. Mas ao menos eu escapei de criar um trauma na menina antes mesmo do nascimento. E aí Marisa, o que seus pais contam do seu nascimento. Minha mãe lembrar de estar sozinha no hospital; meu pai não lembra de nada, porque preferiu ir a um show.

No segundo, creio que em 2006 (nenhum filho meu nasceu perto do segundo show, então, não lebmbro com clareza), compromissos profissionais me fizeram dar o segundo bolo no quarteto de Dublin. Mas agora vai. E vai ser melhor ainda, porque a Isa e a Florzinha também vão. Aliás, a Marisa nem sabe ainda. Inventamos uma mentirinha de que iríamos a uma festa na casa de uma amiga da Isa. Quero só ver a cara dela na hora que chegarmos ao show.

Não sei se alguém lembra, mas no segundo show no Brasil houve um pequena polêmica porque o Bono chamou uma moça ao palco e lascou um beijo nela. Ou foi o contrário, realmente não lembro. É mais provável que ele tenha sido passivo. O fato é que a jovem era casada e foi a novela sobre a 'traição'.

Pois sim, a Isa está jurando que vai beijar o Bono também. Os ingressos foram comprados em abril e eu passei seis meses ouvindo isso: vou beijar o Bono. Eu realmente não me oponho e até incentivei. Só digo uma coisa: ela vai ter de chegar nele antes de mim!

Beijos e saudades,

imagem: www.musica.terra.com.br

terça-feira, 22 de setembro de 2009

Sobre carros, policiais e loucos


Hoje é o Dia Mundial sem Carro. Claro, ninguém sequer ouviu falar nos Estados Unidos. Dei uma zapeada nos sites de notícia e nada. Para não dizer que o meio ambiente está completamente fora das manchetes, há referências ao encontro sobre mudança climática, que acontece em Nova Iorque e do qual participa o hiper, o super, o mega, o power, o Obama.

Mesmo que a terra-do-carro-que-faz-5-quilômetros-por-litro, ao contrário de boa parte da Europa e - espero! - do Brasil, não comemore o Dia, eu e Marisa resolvemos largar o veículo na garagem. A Isa, coitada, ficou de fora porque trabalha a 40 quilômetros de casa e aqui simplesmente não há transporte público. Ou você tem carro, ou tem carro. De fato, todo mundo tem carro. Até os homeless que pedem esmola nos semáforos de Greensboro, a cidade grande perto daqui, entram no seu Nissan ou Honda e vão para casa no fim do expediente. Para mim ficou mais fácil, porque hoje estou de folga do mercado do Wal e só tenho de levar e buscar a Florzinha na escola.

O colégio fica a 15 minutos de caminhada daqui. Daria, tranquilamente, para a Pequena ir e voltar sozinha, mas faço questão de levar e buscar. Não é por medo de assalto ou algo assim, porque aqui o que não falta é policial. Deve ter uns três policiais para cada bandido por aqui. Parece que eles nascem em árvore. Achar um cana é fácil. Não, não procure um posto policial. Eles, aliás, sequer existem. Os policiais estão sempre na rua, disfaçados de postes ou em carros caracterizados ou não. A melhor forma de encontrar um policial é ultrapassar da velocidade limite.

Duas semanas atrás estava atrasado para o trabalho e trafegava a 75 milhas por hora numa pista de 65. Há uma tolerância de cinco pontos, então, eu poderia estar a 70 mph. Ainda sobravam cinco milhas, mas resolvi ariscar. Dito e feito, tinha um carro da polícia estacionado no acostamento. Pensei, fudeu, vou acabar preso, eu e meu inglês. O carro saiu do meio-fio e colou na minha traseira. Como ele não ligou aquelas luzinhas, eu reduzi a velocidade e fui adiante. Pois o cara me segui por dez minutos até o estacionamento do Wal. E parou atrás de mim. Bonito, vou ser preso na frente de todos os colegas de trabalho. Mas quando eu sai do carro, de uniforme e crachá, o policial, muito educadamente, me desejou um bom dia de labuta e foi embora. Valeu o susto, porque agora só ando no limite certinho.

Então, não me preocupa que Marisa seja assaltada no trajeto casa-escola-casa. Tenho, sim, medo dos loucos. Este é um país de loucos. Loucos, loucos mesmo, daqueles que parecem normalíssimos, mas no íntimo sequestram e matam só para fazer algo diferente. O Discovery é meu canal de TV preferido e lá, além do Haunting, há um programa chamado The FBI Files. É examente sobre os loucos que são presos semanalmente. Gente normal, que te dá bom dia no Wal e depois vai caçar uns humanos porque a temporada de veados só reabre no próximo ano. Há três meses, o programa mostrou o caso de um vizinho nosso aqui de Asheboro que matou não sei quantas mulheres. Ele era caminhoneiro e, aporrinhado das pistas quádruplas e da falta de buracos nas estradas norte-americanas, resolveu sequestrar e estuprar mulheres pela Carolina do Norte e estados vizinhos. Depois de satisfeito, ele as deitava numa das saídas de rodovia e passava o caminhão por cima. E ainda dava ré.

Pois sim, o problema do Dia Mundial sem Carro é que justamente hoje eu tinha combinado de almoçar com a Florzinha na escola. Ou seja, eu andei meia hora para levá-la às 08h00, mais meia hora para ir almoçar às 11h20 e outros 30 minutos para buscá-la às 15h30. Uma hora e meia andando. Dia mundial sem carro e sem barriga.

Beijos e saudades, até dos engarrafamentos na Estrutural e na Paralela, além dos jegues no trânsito de Feira de Santana.

Imagem: www.conorclarke.net

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

O dente vai bem, mas o bolso...


Acabo de ir ao dentista.

Foi, na verdade, a segunda vez. Há cerca de dois meses estive lá para fazer uma limpeza. E fui sozinho. Eu e meu inglês. Até que sobrevivemos bem, conseguimos dizer não a todos os tratamentos revolucionários que nos ofereceram e me ative, com o inglês ao meu lado, de boca aberta e bolso vazio, exatamente à limpeza, que era gratuita, conforme reza o contrado do seguro dentário que a Isa me deu de presente. E ainda ganhei uma escova elétrica, uma pasta de dentes, ou dentifrício, como diria Nelson Rodrigues, e um fio dental revolucionário, que não solta tiras, não tem cheiro e nem deforma. Você usa e ele fica do mesmo jeitinho. Vi o preço no mercado do Wal. Precisaria trabalhar duas horas e 14 minutos para pagar um rolo de 20 metros. Passei a usar o mesmo pedaço no almoço e no jantar. Mas guardo numa caixinha esterilizada, que higiene vem em primeiro lugar.

E foi esta primeira ida ao dentista que me abriu os olhos para a banguela dos norte-americanos. Um colega do Wal tinha pedido para que eu o substituísse e respondi que não poderia porque, na manhã em questão, tinha consulta no dentista. A pergunta dele me intrigou: "e você tem dinheiro para ir ao dentista?". Eu fiquei sem graça e pensei em dizer que meu irmão era dentista, mas depois lembrei que o dr. Téo está a mais de 10 mil quilômetros de distância e não colaria. Daí, mais constrangido ainda, eu confessei: eu vivo às custas da minha mulher, é ela que paga as contas e ainda me deu um seguro dentário de presente. Nem de rufião particular posso ser acusado, porque em troca a ela basta escrever no blog. É por isso que postei sexta-feira e hoje, tenho de mostrar serviço em casa, tenho de chegar junto, comparecer.

Ela tem dinheiro, eu não. Mas tenho dentes, e um deles começou a me incomodar. Sabe aquela dor que não é dor? Só um leve incômodo. Vez ou outra, quando mastigo, ele dá sinal de vida. Começou há umas quatro semanas, depois passou, voltou, passou e voltou de novo. E eu quito, bico fechado. É que seguro dentário reduz a conta, mas você ainda paga. Depois pensei, quando mais tempo passa, pode ficar pior e mais caro. Confessei a quase-dor e a Isa marcou a consulta.

A clínica é ultra moderna, parece consultório espacial, cheio de equipamentos, computadores, telas. Tudo do bom e do melhor para torturas coletivas e a minha em particular. Foi quando já estava na cadeira com babador e tudo que me veio o dilema: e se doer? Ter irmão dentista é essencial nestas horas, sempre abri a boca sem medo, agora estou aqui de boca aberta para um gringo. Uma gringa, na verdade. É que o dentista em si é uma espécie de Deus e há o risco de você sequer ser atendido por ele durante a consulta ou mesmo tratamento. A limpeza de há dois meses, por exemplo, foi toda feita por uma das moças. São cinco consultórios na clínica e apenas um dentista. As moças fazem tudo, tudo mesmo, até pôr o amálgama. Ele desce do trono, dá um OK e volta para uma salinha secreta. Ninguém sabe o que acontece na sala do dentista.

Pois sim, para resumir: meu dente está bem, o próprio dentista conferiu, depois da mocinha, e disse que nada há. Não foi preciso broca ou qualquer outro aparelho ultra-pós-moderno. Aliás, a mocinha bateu um raio-X, mas nem precisou revelar, porque agora a imagem aparece direto na dela do computador. A Kodak vai falir. E a garantia de que nada há me custou (ou à Isa) 30 dólares. E isso com o seguro. Sem o seguro? Separe 97 verdinhas, ou quase 200 reais. Um amigo nosso teve de fazer um canal. Quatro mil dólares! Mas ele tinha seguro (não sei se a Isa deu para ele também) e pagou apenas 800. Desconheço o preço de um canal no Brasil - ter irmão dentista tem diversas vantagens, mas dúvido que chege aos cerca de oito mil reais daqui.

Se eu tiver que fazer um canal na terra-do-dentista-fantasma, sai mais em conta comprar passagem e ir ao consultório do dr. Téo. Agora eu entendo não só porque meu Wal-friend perguntou se eu tinha dinheiro para ir ao dentista como também porque há tanto gringo sem dente por estas bandas da verdadeira América.

Beijos e saudades,

Imagem: www.blogdaries.blogspot.com

sexta-feira, 18 de setembro de 2009

A pedidos



Eu disse ‘a pedidos’, mas o título correto seria ‘de ordem’.

Escreva no blog.

Escreva no blog.

Esta foi a última coisa que a Isa me disse ontem à noite. Na cama. Se fosse no café da manhã, tudo bem, o comentário entrava pelo canal auditivo direito, ecoaria no vácuo em que o mestrado transformou a massa cinzenta e sairia, lépido e livre, pela orelha esquerda. Mas foi na cama.

Quem é ou foi casado – e hoje é melhor usar outro verbo e dizer apenas ‘estou’ casado, porque o casamento virou condição temporária – sabe que ninguém fala besteira na cama. Ou melhor, as besteiras que se dizem na cama são as mais importantes, porque sem elas não há casamento que dure. No duro. E sem o duro, ah, meu amigo, sem ele o casamento é duríssmo, é o mesmo que morar com a mãe aos 40. Pior, porque mãe que é mãe sabe fazer sopa de feijão e nunca tem dor de cabeça.

Podia ter sido em um dos vários telefonemas que trocamos durante o dia. Nestas horas a gente fala de coisas rotineiras, lembra de uma conta a pagar (essa parte é mais monólogo, porque eu estou aqui a convite e passeio, portanto, não tenho qualquer conta a pagar), recorda que esqueceu mais um aniversário de alguém querido no Brasil, discute a última da Marisa, ou até planeja o que vai fazer para o jantar. Aliás, sobre jantar, aqui eles não cozinham ou preparam o jantar. Eles ‘fix’ o jantar. Um amigo do Wal, também casado, de vez em quando comenta o que jantou: ontem à noite a gente fixed macarrão. Coitado, a esposa cozinha tão mal que ele tem de consertar depois.

Mas também não foi no jantar que a Isa pediu para blogar algo. Foi na cama. E bem naquelas horas, sabe? Tem mulher que fala de tudo nestas horas, grita adjetivos absurdos, inventa metáforas desconsertantes, ameaça te matar, diz palavrões que deixariam enrubecidos Boccaccio (a fama é injusta), Nelson Rodrigues (na verdade, um reacionário assumido) e Carlos Zéfiro (esse sim um mestre da sacanagem). A minha fala: escreva no blog.

Tá imaginando a cena? Por favor, faça a reconstituição mental. Você lá bem naquela hora, a coisa quase acontecendo, o sangue descendo, você suado, jurando que está mandando muito bem, seus escrotinhos trabalhando a mil para fazer uma boa entrega, e a sua esposa grita: escreva no blog, escreva no blooooooog!!!!

Escreva no blog? Tá (me) gozando? Isso é coisa que se diga na cama? Claro, não preguei o olho a noite toda. E tenho de trabalhar daqui a três horas. Antes disso preciso terminar um dos apêndices da dissertação do mestrado, um trechinho de nada que está empacado há vários dias. E ainda tenho de lavar o banheiro, além da louça do jantar e café da manhã. Mas isso é pouco. Virou bobagem, querela pequena, de menos. Aliás, tudo isso agora é nada, porque a constatação é cabal e definitiva: ela tem mais prazer me lendo do que me comendo.

Alguém tem uma boa indicação de terapeuta na Carolina do Norte? Em último caso, vale até o telefone do Boston Medical Group mais próximo.

Beijos e saudades. Vou à CVS Pharmacy tentar comprar viagra sem a receita.

Imagem: Zéfiro, disponível em www.lambiek.net/artists/z/zefiro_carlos.htm

terça-feira, 25 de agosto de 2009

Marisa P., Sixth Grader, e o pão de queijo


E lá se foi a Florzinha para o primeiro dia na middle school. Marisa P., Sixth Grader. Junie B., First Grader. Já leu? Vale o riso. São não sei quantos títulos na série, tem tradução em português. Texto de Barbara Park e ilustração de Denise Brunkus. São as aventuras de uma menininha de seis anos no primeiro ano escolar.

Aqui em casa há diversos deles. Embora seja agora uma Sixth Grader a Florzinha mantém a paixão pela Junie B. Jones. B. é a abreviatura de Beatriz, mas ela não gosta do segundo nome e se apresenta apenas como Junie B. O melhor de todos os livros é o Junie B.'s Essential Survival Guide to School. Diz a Junie B. que um bando de gente vai te dar ordens na escola, mas a mais importante delas é a/o principal, a palavra inglesa para diretor. Numa tradução livre (eu sempre quis usar essa expressão!) e incompleta (para manter a força do original): "O principal vive sozinho em uma salinha chamada the office. Eu não acredito que seja bom viver sozinho naquela salinha. Isso pode fazer você ficar louco. Okay, here is the thing: No one actually knows what principal does".

Um belo dia a mãe da Junie B. decidiu que ela iria para a escola no carpool. Junie amou a idéia, pôs biquini e levou toalha na mochila. Ficou muito decepcionada quando a mãe de uma coleguinha chegou para buscá-la, já com outras três crianças no banco de trás e, vejam que absurdo, num carro que não tinha a piscina prometida no nome.

De volta à Marisa P. Desde que voltou das férias no Brasil, há dez dias, a Pequena não fala de outra coisa. Aliás, antes disso até, nas conversas pelo skype, ela sempre perguntava se o material escolar estava comprado e planejava como faria as capas dos cadernos. O amor que a jovem demonstra pela escola, às vezes, me faz duvidar da paternidade. Eu, que fugia da escola e quando painho viajava enrolava mainha com uma dorzinha de barriga para ficar em casa por até três dias consecutivos, tenho uma filha que ama o colégio.

Lembro de uma cena engraçadíssima no pré-primario. Na Bahia a gente chamava de pré. E professora era pró. Para que falar uma palavra inteira se você pode usar só a primeira sílaba? Pois sim. Painho foi trabalhar e eu dei o velho golpe (aliás, certamente um dos primeiros, porque eu tinha apenas cinco ou seis anos): mainha, tô com uma dorzinha na barriga, posso ficar em casa? Dona Nilma, que nunca demonstrou muito amor às letras - ao contrário de seu Fernando, liberou. O esquema era simples, mas extremamente eficiente. Uuma dorzinha na barriga ou na garganta, você fica na cama por uma horinha de relógio, corre o risco de tomar um luftal ou AAS infantil e mexe o cavalo para o xeque-mate: mainha, tô um pouquinho melhor, posso ficar lá fora? Pronto, camarada você ganhou a manhã vagabundando pelas ruas em Feira de Santana.

Naquele exato dia eu só não contava que seu Fernando tivesse esquecido algo em casa e me encontrasse doente na cama. Que doente que nada, põe logo a farda (farda para mim é coisa de militar, por isso que eu não gostava de estudar) que eu vou te deixar na escola agora. Já fui chorando no carro. A imagem que me vem: a pró do pré rodopiando em um pé só, segurando a outra canela com a mão, o outro braço erguido para dar equilíbrio e dizendo, seu Fernando, ele não está bem hoje não, é melhor levar para casa, pode deixar, pode deixar! Naquela época eu usava bota ortopédica, uma arma mortal quando usada corretamente. Essa pró sofreu na minha mão, ou no meu pé, para ser literal. Na hora do recreio eu me escondia entre os pneus e todo pessoal da escola tinha de me achar. Foi na cadeira dela que eu também coloquei uma tachinha, mas que, para sorte da pró e do meu futuro, ficou fixada na costura mais larga que divide a bunda ao meio no jeans.

Pensando bem, não deve ter sido no pré que eu fiz isso. Seria muito precoce. Mas foi na quarta série, com certeza, que eu coloquei super bonder na cadeira da pró Vera. Não deu muito certo, porque rasgou só a blusa e o plano era deixar a bunda de fora. Até hoje procuram o culpado. Será que a pró Vera ainda está viva? Ficam a confissão pública e o pedido de desculpas.

Marisa P., Sixth Grader. Acordei às cinco da manhã para fazer pão de queijo fresquinho para o primeiro dia de aula. Todo sacrifício é pouco para alguém com o meu histórico escolar que tem a chance de redenção em uma filha CDF. Marisa olha para a mesa e pergunta: para que esse tanto de pão de queijo?

quarta-feira, 12 de agosto de 2009

No ar

Momento singular: Neste exato momento estão Isa e Marisa voando. Marisa está em algum lugar entre Rio e Miami. Isa, no trecho Charlotte Miami. E eu tão sem norte como sempre na ausência delas.

Cá estou no apartamento que nos abriga na temporada estadunidense, com um gato-de-que-sequer-gosto no colo. Não chamei, ele veio.

Se tivesse Twitter, a mensagem caberia lá. É só para dividir a angústia.

M!

PS: O gato acaba de adormecer no espaço entre minha barriga e o computador.

domingo, 9 de agosto de 2009

MJ e o o recorde de JC



Lá se vão mais de 40 dias desde a última postagem.

Mas há um motivo. Eu estava aguardando. Primeiro eu achei que aquele disse-me-disse internacional de multiplas proporções nos sites de notícia em 26 de junho fosse um golpe publicitário para a grande volta de Michael Jackson aos palcos. Depois pensei que fosse essa mania de Guinness que domina o mundo. Todo mundo quer entrar no Guinness. Ontem a Isa leu para mim a notícia de um cara na China que fez um vestido com dois quilômetros de véu para a noiva. Para quê? Para entrar no Guiness.

Como me dei férias parcial do mestrado hoje (duas horas sem pensar em estudos), acabo de entrar no site do Guinness (vá lá). Tem cada maluquice... Tem um cara na França que tem o recorde da "strangest diet". Ele pode comer até 900 gramas de metal por dia que umas substâncias em seu estômago digerem tudo. O recorde de dieta mais estranha é do francês desde 1959. Olha a chance aí, quem se habilita? Mas lembre: quem come prego...

Até eu posso entrar no Guinness, afinal não é comum alguém passar dois anos em férias, como cá estou na terra-da-TV-de-72-polegadas. Por falar em férias, acabo de descobrir uma notícia boa e outra melhor sobre meu emprego. Qual você quer primeiro? Eu tenho direito a uma semana de folga remunerada. Essa era a boa. A melhor: vou poder gozar os sete dias de pernas para o ar quando completar dois anos de trabalho.

De volta ao Maico Jeca, como diria o Maurício de Souza, depois do Didi. Eu tinha a certeza de que ele estava apenas querendo entrar no Guinness. Pela minha teoria, MJ estaria tentando bater o recorde de JC, que ressuscitou no terceiro dia. Pois o terceiro dia passou, assim como o quarto, quinto, sexto. Agora, que até a missa de trigéssimo dia ficou para trás, sou obrigado a confirmar: Michael Jackson está morto. Ou virou glitter.

Depois desta confirmação, posso retomar minha vida, que inclui postar ao menos uma vez por semana no Oraite. Aliás, aproveito para dar um aviso: prefiro ser cremado. No fogão à lenha, por favor. E joguem minhas cinzas no sistema de ventilação do call center do Visa.

Beijos e saudades,

Imagem: artshopping.com.br